Pobre Pedro, rico deveras, mas montado na mula num dia não tão favorável aos intestinos não haveria de subir satisfeito de Santos ao planalto. Sujo, suado e certamente abalado por cólicas, resume o objetivo da campanha daquela meia dúzia de sujeitos nobres como a causa e grandes como a distância em alguma frase breve e direta. Do outro lado, alguma alma solidária e não muito contrária à aristocracia concorda prontamente, abre um sorriso e, antes de oferecer conforto, certamente pronunciou algo semelhante ao atual "claro, sem problema". Resta saber quem contou o conto e aumentou os pontos, linhas, sombras e cores que pintaram o quadro no Museu do Ipiranga.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
Arquétipo de mim?
Passei o dia de hoje quase todo com jovens pessoas a meio caminho de jovens, um passo além de crianças e um contínuo projeto de pessoas. Nenhum com mais de treze e todos com média (nada ponderada) de doze anos de idade. Irritei-me. Aquela descompromissada alegria sem objetivo desgastou uma coisa latente um tanto abstrata, uma forma de prazer esperançoso no que é previsível. Sem tentativas frustradas de explicação, aquela coisa toda foi bastante chata. Cheguei a analisar de forma austera, em tonalidade harmônica e acinzentada a desenvoltura da manhã e da tarde. Vi de forma quase paternal o quanto estão bonitas as atuais mocinhas e o quão meninos se revelam os rapazotes. A criancidade, por assim dizer, foi a pior parte do percurso.
Voltando para casa, meio despercebido, fui compondo umas tantas linhas de provável acepção “poética”, com pretensão de grandiosidade etimológica, talvez com a hipotética relação entre meu nome de batismo e relações de causa e efeito no destino, uma pitada de considerações semânticas acerca dos topônimos em que vivo... e, como era de se supor, tudo superficial e frio, cheio de pseudo-retrato do que se passou num dia sem grandes emoções.
Foi então que soaram bem distintos numa rádio qualquer e indiferente os primeiros acordes de John Lennon. A canção “Imagine” continuou viagem pelo tempo e pelo asfalto. Eu cheguei a casa, ela ainda não. A meio do caminho muita coisa já corriqueira se fundiu ao discurso e a música era aquilo... ao alcance de qualquer atenção que não existe e à mercê de dedos que apertassem um botão.
Voltando para casa, meio despercebido, fui compondo umas tantas linhas de provável acepção “poética”, com pretensão de grandiosidade etimológica, talvez com a hipotética relação entre meu nome de batismo e relações de causa e efeito no destino, uma pitada de considerações semânticas acerca dos topônimos em que vivo... e, como era de se supor, tudo superficial e frio, cheio de pseudo-retrato do que se passou num dia sem grandes emoções.
Foi então que soaram bem distintos numa rádio qualquer e indiferente os primeiros acordes de John Lennon. A canção “Imagine” continuou viagem pelo tempo e pelo asfalto. Eu cheguei a casa, ela ainda não. A meio do caminho muita coisa já corriqueira se fundiu ao discurso e a música era aquilo... ao alcance de qualquer atenção que não existe e à mercê de dedos que apertassem um botão.
Senti que mesmo jovem estava ficando velho.
domingo, 24 de maio de 2009
Sede, prazeres e desejos à mesa
Alguns amores duram para sempre. Algumas paixões nunca saciam. Muitas vezes não deciframos as sutilezas que diferem aquilo que amamos — por vezes necessário — daquilo que por vezes é fundamental — por que em geral somos apaixonados. Peço perdão se o tom adotado for estereotipadamente masculino, mas apenas dessa forma consigo elucidar a dicotomia entre afetos, fermentados e destilados. Estes, por sua própria natureza, são as grandes paixões ardentes, as namoradas obliquas, presentes no desafogo da carne e da alma, na volúpia e nas lágrimas profundas, jamais num copo longo ou num sentimento raso; aqueles, por sua heróica história, os amigos de todas as horas, na festa, na dor calada, no riso alegre, na gargalhada melancólica, na vitória e na fraqueza, o companheiro inseparável.
Para ilustrar a complexidade à mesa, basta observar alguns aspectos de magistral singeleza, que constitui uma cartilha detalhada do bom apreciador de sentimentos engarrafados.
Comecemos pelos fermentados: O vinho, milenar, abençoado e boêmio poeta, sempre esteve à mão direita de todas as inspirações. Não nego que esteja ao alcance das mais fervorosas paixões, mas, como bom amigo, não interfere na intimidade... apenas sugere, encoraja, sussurra ao apaixonado o que fazer com sorriso cúmplice. Sempre há um bom vinho aos olhos de um bom jantar. Sempre há um grande amigo aos olhos de um grande homem.
A cerveja... Ah, A Cerveja! Tão culpados quanto os que não degustam um bom vinho são os que nunca suspiraram Ah, A Cerveja! Não se exige grande explicação para a mais sagrada das amizades hedonistas. Você oferece e só fica satisfeito se os amigos compartilhares da sua cerveja. Depois de um beijo sincero da paixão, sempre apetece um suspiro sedento com o amigo... o amigo que unicamente poderia consolar a sede que sentimos até que... Ah!!! A Cerveja!
Sendo muitos os fermentados, falemos dois mais populares.
Não tantos os brasileiros amantes de sua típica cachaça, certamente são orgulhosos os fãs da caipirinha. “A Caipirinha dele é fantástica!” Quem nunca invejou dessa forma a satisfação que essa combinação suave de acidez, calor e doçura? “A dele é melhor que a minha...”
Há também a vodka. A vodka e os bebedores de vodka! Sua vodka é sempre sua vodka! No fundo de um copo de vodka e nos braços de uma bela mulher sempre estiveram as esperanças de paz. Você nunca se afasta da vodka, pois nunca se lembra do que ela fez com você. Transparência, encantadora transparência, mas os olhos se refletem quando fitam com paixão.
E, como não poderia faltar, o aclamado whiskey. Não se toma whiskey sem o apropriado ritual. O gelo deve fluir de forma cadenciada, em movimentos anti-horários do seu pulso. Deguste... sinta a textura nos lábios, o sabor na língua, a adstringência nas bochechas. Aconteça o que acontecer, o copo deve permanecer em suas mãos. Aproveite cada segundo... deixe que seus dedos passeiem... aproxime-se, toque-lhe suavemente com os lábios... sinta seu aroma...! Se não houver outra opção que não oferecer seu whiskey ao amigo, permita-lhe que tenha uma leve impressão do prazer que é seu, mas nunca o perca de vista... nunca se sabe se ele resistirá à tentação.
Sentirei a falta de um bom vinho ao fim da tarde. Provavelmente lerei esse texto com os amigos. Certamente tomaremos uma cerveja! ...E contarei o quão difícil foi escolher a dose companheira da noite anterior...!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Non dvcor dvco
O mundo e suas respeitáveis entidades científicas dizem que São Paulo é menos cosmopolita que Nova Iorque e Tóquio. Eu pergunto: alguma dessas tem algum rio maior que o Tejo? Ainda que tenha, não creio que chegue aos pés (ou nascentes?) de algum riacho pessoano de aldeia(s) em Portugal ou África do Sul. Agora afirmem sem culpa se eles todos se comparam ao Tietê e ao Pinheiros. Os canos que aqui poluem / não poluem como lá. À noite que cidade passa em pontes estaiadas sobre luzes irresponsáveis e inala desordem e desrespeito? Nossas margens auferidas / cadenciam com despeito nossas dores.
Conduzimos sim, com brasão e lema; Sem propósito nem vontade. Somos tantos e tão cósmicos que cada ponta de nariz é um universo. Andamos de cabeça baixa e olhos naquele pontinho essencial do caminho em que não vemos o limite do próximo passo, mas sabemos que a perna chega e o nariz indica, sem nunca, claro está, forçar a vista e ficar vesgos. A perda do senso de comunidade – se é que já o houve – trouxe uma individualidade egoísta e criativa que concentrou em cada cérebro novas organizações sociais e naturais.
Mas não se enganem. Não só sabemos nos aproximar, apesar de tudo, como também sabemos contrariar as leis da física aparente (mordam-se de inveja, americanos e japoneses). Pesquisas brasileiras tão respeitáveis quanto as terrenas disseram que em São Paulo nove ou mais corpos ocupam o mesmo espaço. Não acreditam? Metrô + Linha Vermelha + Horário de Pico = Novas Propriedades da Matéria. Quando o mundo diz que a aglomeração máxima permitida em sociedade é de seis indivíduos por metro quadrado, provamos que somos muito mais capazes de aglutinar, mesclar, fundir e associar pessoas, semi-pessoas, gente, humanidade, lixo, escória, fumaça e cerveja do que o mundo todo junto. Conduzimos, não somos conduzidos! Conduzimos contra o fluxo do Tejo, do Tamisa e de quantos nos desafiarem... por isso somos o coração de um povo que não é povo.
Porém...! Se você não for daqui, não ouse falar mal da minha cidade!
Conduzimos sim, com brasão e lema; Sem propósito nem vontade. Somos tantos e tão cósmicos que cada ponta de nariz é um universo. Andamos de cabeça baixa e olhos naquele pontinho essencial do caminho em que não vemos o limite do próximo passo, mas sabemos que a perna chega e o nariz indica, sem nunca, claro está, forçar a vista e ficar vesgos. A perda do senso de comunidade – se é que já o houve – trouxe uma individualidade egoísta e criativa que concentrou em cada cérebro novas organizações sociais e naturais.
Mas não se enganem. Não só sabemos nos aproximar, apesar de tudo, como também sabemos contrariar as leis da física aparente (mordam-se de inveja, americanos e japoneses). Pesquisas brasileiras tão respeitáveis quanto as terrenas disseram que em São Paulo nove ou mais corpos ocupam o mesmo espaço. Não acreditam? Metrô + Linha Vermelha + Horário de Pico = Novas Propriedades da Matéria. Quando o mundo diz que a aglomeração máxima permitida em sociedade é de seis indivíduos por metro quadrado, provamos que somos muito mais capazes de aglutinar, mesclar, fundir e associar pessoas, semi-pessoas, gente, humanidade, lixo, escória, fumaça e cerveja do que o mundo todo junto. Conduzimos, não somos conduzidos! Conduzimos contra o fluxo do Tejo, do Tamisa e de quantos nos desafiarem... por isso somos o coração de um povo que não é povo.
Porém...! Se você não for daqui, não ouse falar mal da minha cidade!
terça-feira, 19 de maio de 2009
Pedagogia, bullying e pétalas de rosas
Sabe aquele cara que bate na cabeça dos nerds, joga bolinha de papel em quem senta na frente, chama todo mundo de gordo, orelhudo, viadinho e tals? Como tudo o que recebe nome em inglês fica muito mais legal, resolveram dar o nome de Bullying a essa alopração. É evidente que sabemos que em muitos casos isso passa da conta, mas é aí que entra em cena a nova safra de professores que solucionará esse problema, muitos outros e ainda promete fazer capuccino como nunca antes visto.
Recomendo que todos assistam em algum momento a alguma aula de Pedagogia. Digo isso pois precisamente numa apresentação de educadores em formação o tal assunto foi abordado. No meio da conversa, discutiram o revoltante e desumano bullying militar, aproveitando pra criticar o exército britânico, o governo russo e os filmes brasileiros, já que como defensores do conhecimento das gentes, são contrários à violência e a qualquer tipo de humilhação. Imaginemos, pois, esse novo mundo a caminho. Seremos livres e respeitados a tal ponto que nossos militares serão educados primordialmente com a gentileza. Talvez nos orgulhemos, depois de ter visto o trabalho desses futuros docentes, de argumentos em campos de batalha tais como esse:
Recomendo que todos assistam em algum momento a alguma aula de Pedagogia. Digo isso pois precisamente numa apresentação de educadores em formação o tal assunto foi abordado. No meio da conversa, discutiram o revoltante e desumano bullying militar, aproveitando pra criticar o exército britânico, o governo russo e os filmes brasileiros, já que como defensores do conhecimento das gentes, são contrários à violência e a qualquer tipo de humilhação. Imaginemos, pois, esse novo mundo a caminho. Seremos livres e respeitados a tal ponto que nossos militares serão educados primordialmente com a gentileza. Talvez nos orgulhemos, depois de ter visto o trabalho desses futuros docentes, de argumentos em campos de batalha tais como esse:
“Boas tardes, prezados colegas em campanhas belicosas, chamo-me General Pacífico Ilustre. Vossas Senhorias concordam com a peleja a ser travada sem ao menos um diálogo que evidencie as razões coerentes dos líderes de ambos os nossos Estados?”
E nós, pobres mortais, achando que o mundo não tem salvação...
O pai de Deus!
É engraçada a crença involuntária que temos na origem do sublime, pois querendo ou não dizemos que o inefável acaba vindo do nada. Bonito, sim, acreditar no acaso como causador das maiores belezas, mas isso fere o ódio sagrado que temos pelo niilismo. Contraditório, não? Mas a resposta realmente parece vir sempre de onde menos se espera. Um amigo biólogo tem as respostas para todo o antinatural que nos rege em poucas palavras, ou pelo menos para mim foi de grande ajuda.
Pensando sempre na lacuna inicial e gerativa deixada pelo fundamentalismo todos os curiosos se fazem céticos, mas é aí que mora o genoma da questão, já que o biólogo (não como qualquer desdém à profissão) esquematizou a raiz perdida da origem de todas as coisas. Parece difícil, mas o raciocínio é muito claro: todo bom questionador que se preze tem o dever de criar sofismas para procurar quem é o criador do criador. E a resposta é escandalosamente simples... Johann Gutemberg! Claro! Todos cremos que somos no fim das contas netos de alguém, talvez por demérito conferido há credibilidade dos verdadeiros pais, mas a real origem, também por ordem cronológica da existência, faz-nos desconhecer os bisavós. Ora, não fosse a aposentadoria dos copistas com a imprensa e estaríamos todos eternamente sem fundamentos e sem a internet para blasfêmias. Não fosse um alemão Johann e o alemão Lutero (nesse caso filho), não tornaria nosso Deus democrático a todos os seus netos.
Não há, porém, insulto algum às solenidades espirituais, pois nossa organização social depende da paternidade exclusivamente. Gutemberg foi o pai do Deus que todos conhecemos, nosso avô todo poderoso, que permitiu que nossos tios afastados e/ou de consideração nos guiassem pelos tortuosos caminhos da vida democratizando o direito ao espírito, Amém!
E, sim, essa é a verdadeira democracia humana, evidenciada materialmente como reflexo da democracia que nos religa ao grande criador. Fazemos até hoje tais joguetes ideológicos, divertidos, afetivos e sinestésicos (quando não deleitosos) conforme nos apetece com nosso próprio código comum de cidadãos. Resumindo: os caras lá em Brasília, assim como os irmãos mais novos de Deus, democratizaram a constituição... e imprimem a kratia conforme o demo, o que nos torna muitos felizes até hoje, também graças a Deus!
Gutemberg , tende piedade de nós!
Pensando sempre na lacuna inicial e gerativa deixada pelo fundamentalismo todos os curiosos se fazem céticos, mas é aí que mora o genoma da questão, já que o biólogo (não como qualquer desdém à profissão) esquematizou a raiz perdida da origem de todas as coisas. Parece difícil, mas o raciocínio é muito claro: todo bom questionador que se preze tem o dever de criar sofismas para procurar quem é o criador do criador. E a resposta é escandalosamente simples... Johann Gutemberg! Claro! Todos cremos que somos no fim das contas netos de alguém, talvez por demérito conferido há credibilidade dos verdadeiros pais, mas a real origem, também por ordem cronológica da existência, faz-nos desconhecer os bisavós. Ora, não fosse a aposentadoria dos copistas com a imprensa e estaríamos todos eternamente sem fundamentos e sem a internet para blasfêmias. Não fosse um alemão Johann e o alemão Lutero (nesse caso filho), não tornaria nosso Deus democrático a todos os seus netos.
Não há, porém, insulto algum às solenidades espirituais, pois nossa organização social depende da paternidade exclusivamente. Gutemberg foi o pai do Deus que todos conhecemos, nosso avô todo poderoso, que permitiu que nossos tios afastados e/ou de consideração nos guiassem pelos tortuosos caminhos da vida democratizando o direito ao espírito, Amém!
E, sim, essa é a verdadeira democracia humana, evidenciada materialmente como reflexo da democracia que nos religa ao grande criador. Fazemos até hoje tais joguetes ideológicos, divertidos, afetivos e sinestésicos (quando não deleitosos) conforme nos apetece com nosso próprio código comum de cidadãos. Resumindo: os caras lá em Brasília, assim como os irmãos mais novos de Deus, democratizaram a constituição... e imprimem a kratia conforme o demo, o que nos torna muitos felizes até hoje, também graças a Deus!
Gutemberg , tende piedade de nós!
domingo, 17 de maio de 2009
Negada, cheguei!
Sou novo em blogs, mas é sempre chato assim postar pela primeira vez? Já sei! Essa será a primeira postagem: Sou aquele cara que não sabe muito bem o que postar por ter sido sempre um tanto avesso a ter um blog. Motivos eu não tenho concretos completamente (advérbios no fim são demais), mas é uma coisa meio sistemática e/ou inconsciente.
Fiz minha página no Orkut quando ainda havia menos de um milhão de membros – coisa difícil de imaginar – e, depois de descobrir o que era, fiquei cerca de dois anos sem logar. Essa minha ligação virtual tem um pesar quase espiritual, uma contradição entre avaliar, criticar, idolatrar, depender e odiar a internet ao mesmo tempo, então não consigo ficar muito apegado a ela...! Eu diria honestamente um motivo convincente e respeitável como um discurso anti-consumista inimigo do mundo ocidental pré- apocalíptico (coisa que costumo fazer cotidianamente, como dizer que SÓ tomo café sem açúcar [e é a mais pura verdade] por apreciar o verdadeiro e essencial sabor), mas nem acredito muito nisso, sabe?
De qualquer forma, exercitar um bate papo em tempo não real vai me ajudar a escrever um pouco, inclusive com as liberdades aviltantes à Matemática do parágrafo acima, coisa que tenho feito com extremo rigor nos últimos... muitos tempos. Sendo assim, que meus amigos reais antigos me dêem boas vindas pra ser um novo virtual.
... e prometo postagens curtas, ok?!...
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